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proposito da vida e pra quem Pensa Longe

Tempo de leitura: 8 min

Escrito por Nelson2021
em setembro 10, 2021

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 Se olharmos para maneira que estruturamos nossos planos, Pensamentos e idéias percebemos que estamos sempre focados

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em um propósito ali na frente. Para alguns essa meta  é simplesmente o dinheiro, para outros uma vida de prazer, 

Para outros ainda uma combinação dos dois. Apenas para poucos  há espaço para ver que existem coisas que não são prazeres 

físicos e sensoriais diretos, mas um prazer sutil, uma  sensação de paz que vem de levar uma vida correta e 

ter um papel no esquema do mundo. E ainda raros são aqueles  que vendo que tudo que nos circunda tem um prazo de validade 

muito curto, questionam o próprio objetivo da vida. Não como  uma indagação curiosa ou casual, mas com a força de alguém 

que busca um sentido para si mesmo na roda do mundo.  Quando uma pessoa busca por essa resposta e encontra um 

mestre com o qual ele se conecta, confia e estuda,  Existe uma transformação completa dessa pergunta: 

“Qual o propósito da vida?”

Se for dito que o propósito da vida está contido na própria  vida, teremos um problema lógico. “A causa não pode estar 

contida no efeito. Ela tem que existir independente do  “efeito” para que seja a causa.” Esse entendimento é bem 

simples apesar de termos uma tendência a dizer que:  “o propósito da vida é viver”.

Se for dito que o propósito da vida é a morte, 

ou algo que deve acontecer depois da morte, teremos  uma inconsistência quanto a impossibilidade de estabelecer 

uma inteligência no universo. Tudo que nos circunda é banhado  em causa e efeito, nada está acontecendo por acaso. 

A ciência e o conhecimento permeiam tudo que está a nossa volta. O acaso é simplesmente uma expressão pragmática 

da nossa ignorância ou incapacidade de determinar a causa de um evento. Nesse mundo, que é todo inteligência, dizer que o propósito 

da vida é morrer ou ir para algum outro lugar diferente de onde estamos não faz sentido. Por que teríamos nascido então? 

Nascer para morrer? Se já estávamos mortos antes, não iríamos nascer se o propósito fosse a morte. E menos ainda ir para outro lugar, 

porque teríamos parado aqui então? Um erro divino? Por mais que possamos escutar esse tipo de afirmação ela também não entra em nosso coração.

Assim se existe um propósito para vida, 

esse propósito  deve ser preenchido enquanto vivo, e viver não significa 

se manter vivo, mas usar do nosso livre arbítrio, sem o  qual essa pergunta não faria sentido nenhum.

 Então a pergunta: “Qual o propósito da vida?” se converte  sutilmente para a questão: “Como usar meu livre arbítrio 

enquanto vivo?”, em outras palavras “Como gostaríamos de  viver?”. Porque afinal essa é a nossa única escolha. 

Não escolhemos nascer, muito menos morrer se temos que  usar nosso livre arbítrio, esse uso vai ser na forma de 

como queremos passar esse tempo por aqui.  E surpreendentemente quando nos fazemos essa pergunta

 muitas vezes reparamos que não vivemos da maneira que  gostaríamos.

Essa é uma descoberta incrível, não vivemos  como gostaríamos e ainda assim queremos encontrar  algo para fazer nessa vida como um objetivo depois dela. 

Se realmente paramos pensar, percebemos que vivemos presos  pelos nossos próprios ideais e com uma habilidade 

de expressão muito aquém do que precisamos para viver  em paz. Começamos com uma idéia absorvida da sociedade 

de como devemos viver e aos poucos percebemos que não  controlamos o mundo a nossa volta. As frustrações se 

somam e se instalam progressivamente na nossa mente,  gerando stress e outras doenças psicossomáticas. 

Vencemos o mundo, ganhamos dinheiro, vencemos desafios,  mas o custo que pagamos nesse processo com a nossa saúde, 

emoções e depressão, que consomem todos os recursos  que alcançamos na forma do dinheiro e o próprio 

sentimento de conquista. Não que esse seja nosso  pensamento a todo o momento, mas esse é pensamento do final

 do dia, ou  nos momentos que estamos sós. Acordar para esse fato também é algo que não é simples,   nossa mente está programada a pensar, a julgar e competir 

a tal ponto que começamos a obter prazer em ver a derrota  do próximo. Seja através de uma pessoa que passa por 

nós com um pouco mais de peso e o seu desajeito nos  conforta, seja de ver o time do vizinho perdendo, 

seja porque vejo que controlo as pessoas a minha  volta por culpa ou vergonha. Apesar desse comportamento 

ser comum entre seres humanos é importante notar que  ele não é natural à espécie humana, por um motivo muito 

simples, esse prazer requer uma divisão em relação ao outro  que não é real. E é por isso que quando olhamos de perto o 

sofrimento da outra pessoa nossa humanidade não nos deixa  sorrir. Na biologia aprendemos que toda vez que existe algo comum 

que não é natural, esse fato se dá devido a um terceiro  fator que influencia a massa da população estudada. Nesse 

caso o terceiro fator é a própria ignorância instalada  entre as pessoas e grupos sociais que se propaga em “moto

 perpétuo”. Por ignorância grupos são perseguidos,  o grupo que é discriminado, se fecha, se organiza e se 

fortalece e ele mesmo agride o outro que se fortalece  se fecha e assim continua. Se quisermos viver em paz e harmonia uns com os outros, 

talvez romper com esse padrão baseada na ignorância  instalada em nós seja um propósito nobre na vida 

para ser escolhido. Porque no final estamos contribuindo  para nós mesmos e para o mundo; e como ser humano ser uma 

fonte de paz e alegria para as pessoas é o que tem de mais  gratificante e prazeroso para se fazer. Muitos sábios colocam o propósito da vida como 

autoconhecimento e isso de fato é uma verdade, já que  o próprio nascimento é devido à ignorância da nossa 

verdadeira natureza; mas as vezes essa é uma resposta  muito seca para um mundo com tantas necessidades por 

compaixão como nós vivemos.

Do ponto de vista pessoal podemos colocar o autoconhecimento  como propósito, mas do ponto de vista social o propósito 

será sempre produzir uma Terra do jeito que gostaríamos  de viver combatendo as diversas expressões da ignorância 

do “eu” nos comportamentos humanos. Assim alguns mestres de vedanta, como o próprio  Swami Dayananda, dedicaram suas vidas não só ao estudo das 

escrituras, mas em prover à comunidade inúmeras iniciativas  que tem como objetivo ajudar os necessitados e gerar 

nas pessoas com recursos materiais o reconhecimento  da importância de ser um contribuidor para o mundo.

O Sw. Dayananda fez seu trabalho social sob o nome de Aim 

For Seva, que literalmente significa “objetivando a  contribuição”, nos últimos 13 anos ele sustentou  mais de 96 casas

para crianças da zona rural estudarem 

perto das escolas, construiu 10 colégios, 9 centros de  saúde e outros diversos projetos que tem como objetivo 

revitalizar e valorizar a cultura Índia e a cultura  hindu à qual pertence. Em termos de ensino Sw. Dayananda junto com Sw. 

Chinmayananda, seu professor, ao longo da vida ministraram  diversos cursos de longa duração como esse 

último de 03 anos que tive o privilégio de participar em  2013, formando mais de 150 Swamis ou monges e mais de 1000 

professores de vedanta ao longo dos anos. Apesar de só  4 Ashrams serem mais conhecidos pelos alunos do Swami, 

a verdade é que ele possui inúmeros de centros de estudo  e Ashrams espalhados pelo mundo junto com cada professor 

que se formou com ele. Essa é uma visão muito importante passada por essa linhagem  de ensinamento, não só o foco

no autoconhecimento  como 

ensinado pelos textos de vedanta, mas uma iniciativa de  contribuir para nossa sociedade da maneira que estiver 

ao nosso alcance como parte do nosso “seva”, nossa  contribuição voluntária as pessoas. Dessa forma muitos 

alunos possuem suas próprias iniciativas de caridade e  ajuda ao próximo. Muitos também colaboram com o projeto 

que outros começaram. Como é o caso do Satsanga Online,  que montamos com um pequeno grupo de amigos mas 

hoje conta com o apoio de uma equipe de desenvolvimento  e a contribuição de diversos leitores que tem em mente 

apoiar quem já está estudando, mas sobretudo aquelas  pessoas que ainda não tiveram uma oportunidade de acesso 

ao conhecimento. No Vidya Mandir no Rio de Janeiro ao longo dos  anos a professora Gloria sempre participa de projetos 

sociais como apoio a crianças carentes e também com  diversos projetos como a edição de livros que não 

possuem fins lucrativos e são feitos com o objetivo  de tornar possível suportar outros projetos associados 

à cultura indiana e o ensino de vedanta.

Assim quando nos perguntamos sobre o objetivo da vida,  podemos lembrar da trajetória dos mestres e entender que 

o propósito é construir uma “vida que gostaríamos de viver”.  Isso inclui o autoconhecimento, uma maturidade emocional, 

apoio à tradição de estudos e realmente se doar às pessoas  a nossa volta no que for possível. Nas palavras do próprio 

Swami “um ser humano se torna maduro quando ele contribuí  mais do que ele consome.” Esse é um paradigma para ser 

entendido no mundo moderno, que prega o consumismo  obsessivo como estilo de vida, é também um desafio 

para um coração que foi treinado desde pequeno a se  efender de tudo e todos; porém é um verdadeiro alívio 

para um coração que sente e chora mesmo que silenciosamente  ao caminhar pelo mundo ao ver as pessoas, seus sentimentos  e necessidades.

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